segunda-feira, 10 de maio de 2010

Serão do SEI para Jovens Adultos • 10 de janeiro de 2010 • Universidade Brigham Young


Élder Neil L. Andersen, “Preparem-se para Seu Destino Espiritual”

Serão do SEI para Jovens Adultos • 10 de janeiro de 2010 • Universidade Brigham Young


Meus queridos jovens irmãos e irmãs, não consigo ver o rosto de todos vocês aqui no Marriott Center e, evidentemente, não consigo ver o rosto de vocês que estão reunidos em milhares de capelas no mundo inteiro, mas percebo suas boas qualidades, seu desejo de fazer o certo e seu amor pelo Senhor e por Seu evangelho restaurado. Uma das bênçãos de ser Autoridade Geral é ter a oportunidade de estar com vocês no mundo inteiro. Nos últimos meses, vi o rosto e apertei a mão de vocês em muitos lugares aqui dos Estados Unidos. Viajamos com o Presidente Uchtdorf e sua esposa, em junho passado, para a Europa Oriental, Rússia e Reino Unido. Em outubro, estivemos na África do Sul e na África Ocidental. Em novembro, voltamos da América Central. É grande a força da retidão entre os jovens e jovens adultos desta Igreja. Consolem-se em saber que vocês fazem parte de um grupo de milhares e de centenas de milhares que enfrentam os mesmos desafios e têm os mesmos objetivos importantes que vocês. Eu os amo e oro para que o Espírito do Senhor esteja conosco ao falarmos hoje de coisas que são muito importantes para vocês.

Já estou nesta vida mortal há três ou quatro décadas a mais que a maioria de vocês, mas não foi a minha experiência que me colocou aqui hoje diante de vocês. Tenho consciência de minhas próprias fraquezas e estou aqui diante de vocês como Apóstolo do Senhor Jesus Cristo, ordenado e comissionado para prestar testemunho Dele e para dizer as coisas que Ele diria. Fui encarregado de vir aqui hoje pelo principal Apóstolo do Salvador, o Presidente Thomas S. Monson.

Ao olhar para vocês, penso em como eu era há 37 anos. Tinha acabado de voltar de uma missão na França. Com poucos recursos além de algum dinheiro emprestado, vim aqui para a Universidade Brigham Young. Consegui emprego de lavador de janelas no campus. Ainda levaria um ano para eu conhecer a luz da minha vida: Kathy Williams. Sentia-me meio solitário e inseguro em relação ao caminho à frente. Lembro-me de me perguntar: “O que será que o futuro me reserva e como devo preparar-me?”

Relembrando esses pensamentos, dei ao meu discurso de hoje o título de “Preparem-se para Seu Destino Espiritual”

Quando Jesus estava na Terra, muitas vezes citava objetos tangíveis para ajudar Seus discípulos a compreenderem melhor o intangível, o espiritual. Ele falava de sementes, grãos, estábulos, galinhas, flores, raposas e dezenas de outros objetos palpáveis para ajudar as pessoas a compreenderem melhor as coisas da fé e do arrependimento, da força espiritual e da salvação.

Ele não falava de aviões porque isso não fazia parte de Sua época, mas o Presidente Uchtdorf preencheu essa lacuna nos últimos anos e nos proporcionou maravilhosos ensinamentos baseados em sua própria experiência como piloto.

Tenho hoje uma história que envolve aviões que nos ensina como nos preparar para nosso destino espiritual.
O Capitão Sullenberger e o Voo 1549 da US Airways

Faz exatamente um ano esta semana que, no dia 15 de janeiro de 2009, o voo 1549 da US Airways decolou do aeroporto LaGuardia, na Cidade de Nova York, e elevou-se rapidamente para o céu, no que deveria ter sido uma viagem sem incidentes até Charlotte, Carolina do Norte, na costa leste dos Estados Unidos. O piloto era o capitão Chesley B. “Sully” Sullenberger. Ele tinha mais de 19.000 horas de voo e supunha que a viagem de uma hora e meia que teria pela frente seria rotineira.
Image

Capitão Chesley B. “Sully” Sullenberger

Quando o Airbus A320 atingiu 900 metros de altura, algo inesperado surgiu bem à sua frente. Um bando de imensos gansos canadenses, de 1,80 m de envergadura, rumava diretamente para o avião. As grandes aves chocaram-se com a aeronave. Pior ainda, os gigantescos motores das duas asas, aspirando o ar para dentro de suas turbinas com enorme força, arrastaram os gansos para a rota do avião. Ouviu-se um terrível ruído de esmigalhamento quando as aves foram sugadas para dentro dos motores. Depois, um silêncio ensurdecedor: as turbinas haviam parado de funcionar.
Image

Percurso do voo 1549 da US Airways 1549 antes do pouso de emergência no Rio Hudson.

O capitão Sullenberger imediatamente começou a determinar como conseguiria aterrissar o avião em segurança. Primeiro, pensou na possibilidade de voltar ao aeroporto, depois pensou em seguir para outro aeroporto próximo. O perigo e os riscos eram enormes. Ele não sabia por quanto tempo conseguiria fazer o avião planar com os motores em pane. Tinha só um instante para decidir. O capitão Sullenberger decidiu que sua melhor chance seria pousar o avião no rio Hudson, que passa perto da Cidade de Nova York. Naqueles poucos segundos, todo o seu treinamento como piloto de linha, todo o seu raciocínio, instintos e talentos foram concentrados no pouso de emergência que teria de fazer.
Image

O voo 1549 da US Airways plainou menos de 300 metros acima da ponte George Washington.
Image

Em 15 de janeiro de 2009 o voo 1549 da US Airways pousou no rio Hudson, em Nova York.

Com os arranha-céus bem ao lado das janelas, o avião desceu rapidamente, passando pouco menos de 300 metros acima da ponte George Washington. Então, voando o mais lentamente possível e com as asas perfeitamente paralelas à superfície da água, ele ergueu o nariz do avião e o fez descer de barriga no rio. A aeronave, que pesava 120 toneladas, deslizou sobre a água e depois parou em segurança, totalmente intacta.
Image

Passageiros do voo 1459 da US Airways aguardam o resgate. (Reuters/Jane Doe)

Era inverno, a temperatura estava bem abaixo de zero, e o capitão sabia que o avião começaria a afundar. Os passageiros foram rapidamente conduzidos para fora pelas saídas de emergência, ficando em cima das asas. Os botes salva-vidas do avião foram inflados, e barcos vindos das margens se aproximaram rapidamente para resgatar os passageiros. A notícia era quase inacreditável: Embora um avião de 60 milhões de dólares tivesse sido perdido, o capitão Sullenberger havia pousado em segurança, e todos os 154 passageiros e tripulantes foram salvos, bem como o próprio capitão Sullenberger.

Como Jesus fez em Seus ensinamentos, vamos relacionar o tangível com o intangível, o material com o espiritual. Vamos abordar três áreas em que nosso destino espiritual — o seu destino espiritual — pode ser comparado ao voo 1549 da US Airways. Primeiro: Vocês estão em uma jornada pela mortalidade. Segundo, cada um de vocês deve ser um capitão na causa do Senhor, com uma missão específica a cumprir. Terceiro, seu dever sagrado é voltar em segurança e levar muitos com vocês.
Jornada pela Mortalidade.

Primeiro: Vocês estão em uma jornada pela mortalidade.

Os passageiros do voo 1549 não começaram sua existência quando subiram no avião, em Nova York. Estavam numa jornada. Muito havia ocorrido na vida deles antes do voo, e muitas coisas aconteceriam depois do voo. Da mesma forma, esta vida mortal não é onde começamos, nem será onde terminaremos. Estamos numa jornada. Essa jornada começou há muito tempo, num estado pré-mortal, onde recebemos nossas “primeiras lições no mundo dos espíritos e [fomos] preparados para nascer no devido tempo do Senhor” (Doutrina e Convênios 138:56). Somos literalmente filhos e filhas espirituais de pais celestiais. O Senhor disse: “Eu sou Deus; eu fiz o mundo e os homens antes que existissem na carne” ( Moisés 6:51), “pois no céu os criei” (Moisés 3:5).

O poeta William Wordsworth escreveu estas belas palavras:

Nosso nascimento é como um sonho e um esquecimento:
A Alma que nasce conosco, nossa estrela da vida
Teve outra habitação,
E veio de longe:
Não em total esquecimento,
Nem em total nudez,
Mas trilhando nuvens de glória
Viemos de Deus, que é nosso lar1

Nossa vida pré-mortal não foi uma existência passiva. Tivemos de fazer escolhas ali, como fazemos aqui. Progredimos e precisávamos de um corpo físico e das experiências da mortalidade. Precisávamos provar nossa disposição de viver pela fé. Nosso Pai Celestial apresentou-nos um plano. A parte central desse plano era o papel desempenhado por Seu Filho Unigênito, que nos proveria um caminho de volta. Aceitamos o plano do Pai e nos regozijamos com o Salvador escolhido. As oportunidades e responsabilidades que nos foram preordenadas ajudam a moldar o que temos a fazer na mortalidade. De uma maneira não inteiramente compreendida, “nossas ações no mundo espiritual influenciam-nos na mortalidade”. 2

Agora estamos aqui, em nossa tão longamente esperada mortalidade. Embora não tenhamos hoje a lembrança de nossa vida pré-mortal, ela soa como verdadeira para nós. Mesmo nesta vida, não lembramos todas as coisas que são importantes. Por exemplo: vocês se lembram das primeiras palavras que falaram ou de quando deram seus primeiros passos? Lembram-se de terem pensado: “É… minha mãe já não me carrega tanto no colo quanto antes, então, se eu quiser me locomover à vontade, é melhor eu ficar em pé e andar”? Não é difícil sentirmos em nosso íntimo de que não começamos a existir com nosso nascimento na mortalidade. Somos filhos e filhas de Deus. Há uma escritura em Alma que descreve o papel das escrituras de “[ampliar] a memória deste povo” (Alma 37:8). Nossa memória foi ampliada, e sabemos que fomos preparados para a vida que estamos vivendo agora.

Assim como nossa vida começou antes de nosso nascimento na mortalidade, ela não termina quando o coração para de bater. Continuamos a existir. Quem vocês são, seu eu, seu ser individual e distinto… vocês sempre serão vocês. Alguns podem dizer: “Eu não gosto de mim mesmo”. É pena! Vocês podem moldar a pessoa que virão a ser, podem ser mais do que são hoje, mas sempre serão vocês mesmos.
Capitães na Causa do Senhor

Segundo: Cada um de vocês deve ser um capitão espiritual na causa do Senhor, com uma missão específica para cumprir.

Temos um destino espiritual, e ele não permite que viajemos passivamente no fundo do avião ao longo de toda a mortalidade. O Senhor prometeu a Abraão que em sua semente todas as nações da Terra seriam abençoadas (ver Gênesis 22:18; Abraão 2:9). Ele estava-Se referindo à bênção espiritual trazida ao mundo por nosso intermédio, a quem Ele chamou de “filhos do convênio” (3 Néfi 20:26). Alma explicou que alguns foram “chamados e preparados desde a fundação do mundo, segundo a presciência de Deus” (Alma 13:3).

Já se perguntaram alguma vez: “Por que sou quem sou? Por que me sinto da maneira que me sinto? Por que decidi acreditar tão plenamente no Senhor Jesus Cristo? Por que decidi guardar Seus mandamentos, enquanto outros não se importam com isso? Por que sinto o que sinto quanto ao Livro de Mórmon? Por que as palavras que leio nas páginas das escrituras vão diretamente a meu coração, ao passo que outros são quase indiferentes a esse livro sagrado? Por que eu me dispus a fazer os convênios sagrados por meio do batismo, a fazer convênios no templo e (no caso de muitos de vocês) a sair em missão?”

Vocês foram escolhidos e preordenados para terem o evangelho em sua vida e para serem líderes na causa do evangelho restaurado.

O capitão Sullenberger tinha mais de 19.000 horas de experiência na época do voo 1549. Ao refletir sobre sua decisão de tornar-se piloto, ele disse que aos 16 anos, depois de menos de oito horas de voo em um aviãozinho monomotor, soube que voar faria parte de seu destino.3

Aceitem o fato de que vocês têm um destino de importância eterna, um destino espiritual. Leiam sua bênção patriarcal. Como foi dito a respeito da antiga rainha Ester: “Para tal tempo como este chegaste [aqui]” (Ester 4:14). Acreditem nisso e aceitem esse fato!

O fato de vocês saberem quem são e quem deveriam ser não os torna capitães na causa do Senhor. Há obstáculos e tentações muito mais traiçoeiras do que um bando de gigantescos gansos canadenses que podem impedi-los de alcançar seu destino. Vocês precisam estar atentos. Para serem capitães na causa do Senhor é preciso que se preparem, e essa preparação não é fácil! O Salvador disse: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mateus 16:24). Ele explicou também que “um homem tomar sua cruz significa negar-se a toda iniquidade e a toda concupiscência mundana e guardar [os] mandamentos [do Senhor]” (TJS Mateus 16:26).

Ao refletir sobre o tempo que passou em treinamento na Academia da Força Aérea, o capitão Sullenberger disse:

“Foi uma experiência muito intensa. (…) Fomos testados, (…) desafiados, e tivemos que ver muitos de nossos companheiros desistirem. (…)

Isso fez com que eu me desse conta de que se eu me esforçasse o suficiente, encontraria forças que não sabia que tinha. Se eu não tivesse sido forçado a dar o máximo (…) , nunca teria conhecido a plena extensão da fonte de força interior a que eu poderia recorrer.4

A preparação espiritual vai revelar suas próprias fontes de força interior. Há muito poder na oração. Há força nas escrituras. Aprendi a dar um passo adiante com fé e a ser mais plenamente obediente. Tomar o sacramento dignamente todas as semanas após ter-nos preparado para isso é algo que nos renova e protege. Recebemos o inestimável dom do Espírito Santo. Esse dom celeste é real e absolutamente essencial para manter-nos seguros.

Ao falar de seu trabalho como piloto de linha, o capitão Sullenberger alertou:

“Nem toda situação pode ser prevista ou antecipada. Nem tudo está numa lista de verificação.5

Cada um tem que ter consciência do que sabe e do que não sabe. (…)

Também é preciso compreender como nosso raciocínio pode ser afetado pelas circunstâncias.”6

Esses mesmos princípios se aplicam a nossa missão espiritual. A revelação pessoal recebida por meio do dom do Espírito Santo nos guia em meio aos imprevistos na realização do que viemos fazer aqui. E a retidão pessoal é essencial para termos o dom do Espírito Santo. Não seremos guiados pelo Espírito Santo se formos negligentes em obedecer.

O ponto central de tudo o que pensamos e fazemos é o Senhor Jesus Cristo. A vida Dele é nosso exemplo. É graças a Ele que viveremos novamente. É pelo poder de Sua Expiação que poderemos estar puros na presença de nosso Pai. Aprendemos a amar nosso Pai Celestial e Seu Filho, Jesus Cristo, de todo o coração, poder, mente e força. Gosto da frase: “Aquele que ama ao Senhor de todo o coração O ama acima de tudo neste mundo e tudo aquilo a que ama se refere ao Senhor”.7 Jesus disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos”(João 14:15).

Há muitas pessoas boas na Terra. Há muitas pessoas altruístas. Há outros que acreditam em Cristo tanto quanto nós acreditamos. Não somos os únicos que oram ao Pai Celestial ou que recebem respostas para as orações, nosso Pai ama a todos os Seus filhos. Mas não podemos esquecer que somente A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem o sacerdócio de Deus. Somente aqui temos o profeta do Senhor. Somente aqui temos o poder sagrado de selamento que permite que as famílias sejam eternas.

Embora este serão esteja sendo transmitido em 33 idiomas, somos poucos comparados aos bilhões que há na Terra. Pedro nos chamou de “geração eleita, o sacerdócio real, (…) o povo adquirido” (I Pedro 2:9). Não menosprezem nem diminuam o papel e a responsabilidade específicos que receberam. Vocês devem ser capitães na causa do Senhor, encarregados de erguer bem alto a bandeira do evangelho restaurado, porque o Senhor disse que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias deveria “ser um mensageiro diante de [Sua] face e preparar o caminho diante [Dele]” ( Doutrina e Convênios 45:9).
Seu Dever Sagrado

Terceiro: Seu dever sagrado é voltar em segurança e levar muitos com vocês.

Grande parte de seu destino espiritual será gravado na vida daqueles que vocês ajudarem espiritualmente. O que fez do capitão Sullenberger um herói? O que o tornou respeitado e valorizado? Foi o fato de ele conseguir pensar rapidamente? Foi o fato de ter feito as escolhas certas quando os motores pararam? Foi o fato de ele saber como manter as asas perfeitamente paralelas à superfície da água ao pousar? Ora, foi tudo isso! Mas o mais importante é que 154 vidas poderiam ter sido facilmente perdidas, e ele as salvou e, com isso, salvou-se a si mesmo.

O capitão Sullenberger disse o seguinte a respeito de ter salvado a vida de seus passageiros: “Em termos abstratos, 155 é apenas um número, mas olhar para o rosto de todos aqueles passageiros, e depois para o rosto de todos os seus entes queridos, fez com que eu me desse conta de quão profundamente maravilhoso foi termos um final tão feliz para o voo 1549”.8

Será que podemos aplicar isso a nossa missão? Os membros desta Igreja são imensamente generosos ao ajudar os pobres e necessitados tanto da Igreja quanto no mundo inteiro. Contudo, nossa missão divina, a bênção que o Senhor disse que viria por intermédio de Abraão, é primordialmente espiritual.

Temos que estender a mão e ajudar outras pessoas a voltarem à presença do Pai Celestial conosco.

O Senhor disse: “Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á (Mateus 10:39). Vamos ler Mateus 25, pensando em nosso papel de capitães espirituais e inserindo a palavra espiritual:

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

Porque tive fome [espiritual], e destes-me de comer; tive sede [espiritual], e destes-me de beber; era estrangeiro [espiritualmente], e hospedastes-me; (…)

Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome [espiritual], e te demos de comer? ou com sede [espiritual], e te demos de beber? (…)

E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:34–35, 37, 40).

Quem vocês devem levar com vocês? Em primeiro lugar, para todos os que tiverem oportunidade, vocês devem-se casar e levar consigo seu cônjuge e sua família. Essa é sua primeira responsabilidade. A família é uma organização do céu.

Para compreender plenamente essa responsabilidade, temos que olhar para muito além daquilo que vemos bem à nossa frente. Só compreendemos os frutos espirituais de se criar uma família em retidão quando olhamos para além de nossa geração, para nossos netos, bisnetos e assim por diante. O capitão Sullenberger compreendeu esse princípio ao salvar a vida de seus passageiros. Ele disse: “Não sei quais serão as coisas boas que ainda serão realizadas pelas 154 pessoas que estavam em meu voo. Não posso sequer imaginar o bem que seus filhos, netos e bisnetos que ainda não nasceram podem vir a fazer no mundo”.9

Quero falar a vocês dos frutos da preparação espiritual de uma família ao longo de muitas gerações.
Image

Henry Arline

Henry Arline viveu de 1841 a 1919. Em 1898, aos 57 anos de idade, ele ouviu os missionários pregarem o evangelho em uma escola, no Estado da Flórida, nos Estados Unidos, e disse à mulher: “Pela primeira vez na vida, eu ouvi a verdade”. Ele e a família foram batizados. Poucos anos depois, viajaram de trem para Utah, uma viagem de mais de 3.200 quilômetros, para receber as ordenanças de selamento no templo. Ele voltou para a Flórida e continuou fiel e leal por toda a vida.
Image

Sophronia Arline Williams

A filha dele foi Sophronia Arline Williams e o filho dela foi James Bernard Williams. Bernard Williams conheceu uma bela jovem, Martha Aman. Ela pesquisou sinceramente a Igreja, adquiriu um forte testemunho e foi batizada.
Image

Foto de casamento de James Bernard e Martha Williams
Image

Foto da família de James e Martha Williams em que a irmã Kathy Willians Andersen é ainda pequena.

Oito anos depois de se casarem, foram selados aos três filhos no Templo de Salt Lake. A filha caçula deles é Kathy Williams, que conheci anos depois na BYU e a quem implorei que se casasse comigo. Agora temos 4 filhos e 13 netos.
Image

Retrato da família de Neil e Kathy Andersen

Serei eternamente grato à mãe de Kathy e a seu bisavô, que foram pessoas justas e se filiaram à Igreja e permaneceram fiéis por toda a vida. Essas duas pessoas nunca se conheceram na mortalidade. Viveram em épocas diferentes, mas foram capitães na causa do Senhor e ajudaram a levar sua família com elas por causa de suas decisões espirituais.

É verdade que nem todos terão a oportunidade de se casarem nesta vida, mas um companheiro eterno é prometido nas eternidades para as pessoas justas que desejarem essa bênção. As pessoas que não se casarem podem fazer muitas coisas e podem ser capitães na causa do Senhor e levar muitas almas com elas. Na última conferência, a irmã Barbara Thompson, que está na presidência geral da Sociedade de Socorro e é solteira, disse o seguinte:

“Quando terminei o curso médio, minha meta era fazer faculdade, (…) casar-me com um homem bonito e ter quatro filhos perfeitos e lindos. (…)

Bem, como vocês sabem, muitas das minhas metas não se cumpriram como eu esperava. Terminei a faculdade, fui missionária de tempo integral, consegui um emprego, prossegui meus estudos (…) e continuei trabalhando em minha profissão por muitos anos. (…) Mas não houve um homem bonito, nem casamento, nem filhos. (…)

Uma colega de trabalho, que não era membro da Igreja, me perguntou: ‘Por que você continua a frequentar uma Igreja que dá tanta ênfase ao casamento e à família?’ A resposta simples que lhe dei foi: ‘Porque ela é verdadeira!’ (…) Com a Igreja e o evangelho de Jesus Cristo em minha vida, encontrei alegria e soube que estava no caminho que o Salvador queria que eu seguisse.”

Ela então citou uma maneira pela qual poderia influenciar espiritualmente outras pessoas, mesmo solteira: “Tive a oportunidade de servir por muitos anos nas Moças e sinto que isso me deu a oportunidade de ensinar e testificar às mulheres mais jovens que desenvolviam seu testemunho”.10

Há 25 anos a irmã Thompson era a consultora das Lauréis de Shellie Nielson. Shellie Nielson, que hoje é Shellie Nielson Seager, escreveu para a irmã Thompson, mais de vinte anos depois, expressando sua gratidão. A irmã Seager escreveu:

“Acordei às 5h15 pensando em você e na influência que você exerceu em minha vida. (…)

Éramos prioridade para você. Você sempre nos deu tanta atenção, carinho e amor. Você era sempre tão divertida! (…) mas o mais importante era que sabíamos que você tinha um forte testemunho do evangelho de Jesus Cristo”.11

A irmã Seager tem hoje uma família com cinco filhos. A influência positiva da irmã Thompson vai refletir na vida da irmã Seager para sempre, e também nas gerações futuras.

O Senhor disse:

“Lembrai-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus; (…)

E, se trabalhardes todos os vossos dias clamando arrependimento a este povo” (e clamar arrependimento simplesmente significa ajudar as pessoas a voltarem para Deus) “e trouxerdes a mim mesmo que seja uma só alma, quão grande será vossa alegria com ela no reino de meu Pai!

E agora, se vossa alegria é grande com uma só alma (…), quão grande será vossa alegria se me trouxerdes muitas almas!” (Doutrina e Convênios 18:10 , 15–16).12

Se voltarmos nossa atenção aos outros (primeiro a nosso cônjuge, depois à nossa família e, depois a outros), elevando-os espiritualmente e ajudando-os a permanecer firmes, estaremos salvando gerações e cumprindo nosso destino eterno.

Luciano Cascardi é o presidente da Estaca São Paulo Ipiranga Brasil. O irmão Luciano era um menino de seis anos quando sua família foi batizada em São Paulo, Brasil. O presidente Luciano Cascardi veio até os Estados Unidos, em outubro passado, procurando o missionário que havia ensinado sua família há 40 anos. Uma coisa ele sabia com certeza: o primeiro nome do missionário era Élder.

Graças a vários milagres, o irmão Luciano o encontrou: o irmão Larry Wilson, um forte líder da Igreja do norte da Califórnia. Em uma carta ao irmão Wilson, ele disse que encontrar esse missionário foi como encontrar um pai que havia perdido há muitos anos. Então, referindo-se à semente espiritual que germinou há 40 anos e se multiplicou e tocou tantas vidas depois disso, disse: “É possível contar as sementes de uma maçã, mas não se pode contar quantas maçãs há numa semente” 13

Não temos que estar na missão para fortalecer e elevar outras pessoas. O Presidente Monson ensina sempre que devemos estender a mão e resgatar as pessoas a nosso redor. Lembram-se da história de quando ele estendeu a mão, quando era um jovem bispo, para ajudar uma pessoa que não frequentava a Igreja?

O Presidente Monson disse:

“Quando servi como bispo, reconheci que eu era o presidente do quórum dos sacerdotes e quis cuidar de todos os rapazes. Havia um rapaz que nunca vinha, por isso pensei comigo: ‘estou aqui sentado com os sacerdotes. Eles têm um consultor. Vou deixá-los com o consultor que lhes dará a aula. Vou procurar o Richard Casto.’ Fui até a casa dele. A mãe e o pai estavam em casa e me disseram que ele estava trabalhando numa oficina na rua West Temple.

Fui até a esquina da rua Fifth South com a rua West Temple e encontrei o portão aberto, mas não havia ninguém ali. Comecei a procurar por toda parte, mas não encontrei ninguém. Então, fui até os fundos e encontrei um daqueles antigos fossos de lubrificação.

Olhei para baixo, na escuridão, e vi dois olhos brilhantes me fitando. Ele disse: ‘Você me achou, bispo. Já vou sair’. Ele saiu do fosso de lubrificação.

Tivemos uma conversa muito agradável, e eu disse: ‘Richard, precisamos de você. Você tem jeito com as pessoas. Quero que todos os sacerdotes frequentem as reuniões. Você vem?’ Ele disse: ‘Eu vou’. E ele veio.”

Anos depois, Richard Casto contou o que aconteceu depois daquele dia:

“Depois disso, servi em uma missão, fui selado à minha esposa no templo, tivemos cinco filhos excelentes — dois deles foram missionários —, e eu servi duas vezes como bispo. Meus filhos o amam muito e minha esposa também, pelo que ele fez por mim. Essa foi provavelmente uma das maiores bênçãos que recebi na vida.”14

Na conferência geral de outubro de 2009, o Presidente Monson disse: “Creio que o Salvador está dizendo que, a menos que nos entreguemos totalmente ao serviço ao próximo, haverá pouco propósito em nossa vida. Aqueles que vivem só para si acabam definhando e figurativamente perdem a vida, ao passo que aqueles que se dedicam inteiramente ao serviço ao próximo crescem e florescem — e literalmente salvam a própria vida”. 15

Vocês devem ser capitães na causa do Senhor, com a missão específica de voltar para casa em segurança e de levar muitos com vocês.
Prossigam com Esplendor de Esperança

Quero encerrar com uma experiência pessoal que também tem a ver com aviões.

No dia 9 de novembro passado, Kathy, minha mulher, e eu estávamos voltando da Cidade da Guatemala e teríamos que pegar uma conexão em Miami, Flórida. Tínhamos um compromisso importante, e era vital que pegássemos o avião em Miami. Partimos bem cedo pela manhã, deixando nosso hotel, que ficava perto de Antigua, Guatemala, para pegar o voo para Miami, às 8h55. Quando entramos na Cidade da Guatemala, o trânsito estava mais congestionado do que de costume. Ficamos preocupados em chegar ao aeroporto a tempo. Chegamos em cima da hora para pegar nosso avião.

Passamos correndo pela imigração e seguimos para o portão de embarque. No portão, ficamos sabendo que o avião só sairia dali a uma hora e meia. Ele tinha-se atrasado na noite anterior por causa do tempo turbulento. Os pilotos e a tripulação precisavam de um certo tempo para descansar. Com esse atraso, ficamos preocupados, com medo de perder nossa conexão em Miami. Embarcamos no avião uma hora e meia depois, mas ao passarmos pelo portão, ficamos sabendo que havia um defeito eletrônico na cabine do piloto. Isso resultou num atraso de mais 40 minutos. Respiramos fundo, imaginando se teríamos a menor possibilidade de pegar nossa conexão.

A viagem entre a Cidade da Guatemala e Miami foi bem rápida. Chegamos a Miami apenas 30 minutos antes do horário marcado para a partida do voo de conexão. Trinta minutos não parecia ser o suficiente, mas decidimos tentar. Corremos o mais rápido possível. Para nossa surpresa, a fila da imigração estava curta. Seguimos para a alfândega americana, orando em silêncio para que a bagagem que levávamos não fosse escolhida para ser inspecionada. O Senhor ouviu nossas orações. Olhando para as telas de informações dos voos do aeroporto, vimos que nosso avião estava no portão D-3. Depois de corrermos até o portão de embarque, passamos pelo sofrido processo de inspeção de segurança. Tiramos os sapatos. Colocamos todos os líquidos em um saco plástico. Separamos o laptop. Torcemos para que o alarme do monitor de segurança não tocasse ao passarmos pelo sensor.

Ao terminarmos a inspeção de segurança, tínhamos apenas 10 minutos até a hora marcada da partida. Olhei novamente para a tela com as informações dos voos. Para o meu desespero, eu tinha cometido um erro, o avião não iria sair do portão D-3, mas, sim, do E-3. Estávamos no portão errado. Estávamos sem fôlego. As portas do avião provavelmente já estavam fechadas, e estávamos a várias centenas de metros do portão de embarque. Pensamos em desistir, mas, dando coragem um ao outro, esforçamo-nos ao máximo para ir até o fim. Saímos em disparada, arrastando as malas de rodinhas atrás de nós. Ao chegarmos ao portão E-3, ouvimos nosso nome ser chamado. Foi um milagre. As portas ainda estavam abertas. Tínhamos conseguido!

A caminho de seu destino espiritual vocês enfrentarão obstáculos, atrasos e equipamentos com defeito. Haverá erros. Pode ser que vocês fiquem se perguntando se vão conseguir. Não desanimem! Vocês também terão momentos de esperança e fé, em que as portas vão-se abrir e os obstáculos serão vencidos. Continuem, persistam e, acima de tudo, acreditem em Cristo e aprendam a segui-Lo e a seguir Seus profetas, prossigam, como disse Néfi, com “um esplendor de esperança” (2 Néfi 31:20). Se fizerem isso, prometo que um dia ouvirão seu nome ser chamado. Vocês vão conseguir.

Nosso Pai Celestial vive. Somos Seus filhos e filhas. Jesus Cristo é nosso Salvador e Redentor. Ele restaurou Seu evangelho por intermédio do Profeta Joseph Smith. O Presidente Monson é Seu profeta hoje. Oro para que vocês recebam todas as bênçãos do céu que lhes estão reservadas, ao prepararem-se para seu destino espiritual, em nome de Jesus Cristo. Amém.

© 2009 Intellectual Reserve, Inc. Todos os direitos reservados. Aprovação do inglês: 5/09. Aprovação da tradução: 5/09. PD50018081 059
Notes

1. William Wordsworth, “Ode: Intimations of Immortality from Recollections of Early Childhood”, The Oxford Book of English Verse, (comp.) Christopher Ricks, 1999, p. 351.

2. Dallin H. Oaks, A Liahona,, janeiro de 1994, p. 78 ou Conference Report, outubro de 1993, p. 97.

3. Ver Captain Chesley “Sully” Sullenberger e Jeffrey Zaslow, Highest Duty: My Search for What Really Matters, 2009, pp. 5, 10.

4. Sullenberger, Highest Duty, pp. 93, 95.

5. Sullenberger, Highest Duty, p. 188.

6. Sullenberger, Highest Duty, pp. 119,–120.

7. Howard W. Hunter, Conference Report, abril de 1965, p. 58.

8. Sullenberger, Highest Duty, p. 286.

9. Sullenberger, Highest Duty, p. 264.

10. Barbara Thompson, “Cuidado com o Vão”, A Liahona, novembro de 2009, pp. 119–120

11. Carta de Shellie Nielsen Seager a Barbara Thompson, datada de 2 de abril de 2007.

12. Ver Neil L. Andersen, “Arrependendo-vos (…) para que Eu Vos Cure”, A Liahona, novembro de 2009, pp. 40–43.

13. De uma carta pessoal de Larry Wilson, datada de 14 de novembro de 2009, e de uma mensagem de Luciano Cascardi para a família Wilson, em email datado de 9 de outubro de 2009, traduzida para o inglês e, depois, traduzida novamente para o português.

14. Ver o DVD A Serviço do Senhor (2008).

15. Thomas S. Monson, “O Que Fiz Hoje por Alguém?”, A Liahona, novembro de 2009, pp. 84–87.

Nenhum comentário:

Postar um comentário