sábado, 26 de junho de 2010

Bispo H. David Burton, “A Estrada da Vida”

Serão do SEI para Jovens Adultos • 2 de maio de 2010 • Universidade Brigham Young–Havaí

Aloha, irmãos e irmãs! A Irmã Burton e eu estamos encantados por podermos passar alguns minutos com vocês neste belo dia do Senhor aqui no campus da Universidade Brigham Young-Havaí, juntamente com os jovens adultos de muitos países. É emocionante ver e sentir as muitas culturas representadas neste campus e nesta própria congregação. Gostaríamos de ver pessoalmente as muitas outras congregações que estão nas sedes de estaca e de instituto de religião do mundo inteiro e se reuniram hoje para participar da transmissão deste serão do SEI.

Eu adoro o som e o significado da palavra aloha! Vocês devem saber que aloha no idioma havaiano quer dizer muitas coisas, como afeto, amor, paz, compaixão, solidariedade, pena, misericórdia, bondade, ou graça. Ao longo dos últimos 150 anos ela também foi usada no mesmo contexto das palavras inglesas hello e good-bye [olá e adeus]. Esses sentimentos a tornam tanto uma adorável saudação como uma profunda expressão de despedida.

Vivemos em Uma Época de Valores Conflitantes

O conceito de aloha é tão importante no Havaí que o “Espírito do Aloha” foi definido e faz parte dos estatutos do estado do Havaí. Aloha significa demonstrar carinho e afeto sem esperar nada em troca. Significa reconhecer a importância de cada pessoa para a existência coletiva. Também significa “ouvir o que não é dito, ver o que não se pode ver e saber o que não se pode conhecer”.1 O Espírito do Aloha abrange belos princípios do evangelho: princípios de fé, princípios em torno do “não julgueis, para que não sejais julgados” (Mateus 7:1). Ele enfatiza a importância do indivíduo e a compaixão. O mundo não seria maravilhoso se todos adotássemos plenamente o espírito do aloha?

Recentemente o General David H. Petraeus discursou na Universidade Brigham Young–Provo. Ele mostrou ter um maravilhoso senso de humor ao iniciar seu discurso com uma lista dos dez motivos pelos quais os formandos da Universidade Brigham Young dariam bons soldados. Eis alguns dos motivos: “Não há problema quando não sabem a patente de alguém, basta chamar a pessoa de irmão ou irmã fulano de tal.” “Nenhum deles é desertor. Simplesmente são chamados de menos ativos”. “Eles aceitam prontamente qualquer objetivo desde que saibam que será servido um lanche.” “Têm ideias inovadoras sobre como lidar com os rebeldes: como, por exemplo, designá-los como mestres familiares.” E finalmente, e talvez o mais importante: “São os ‘motoristas oficiais’ mais confiáveis do mundo depois das festas.”2 Faz bem à saúde sorrir das peculiaridades dos outros.

É um privilégio especial sermos filhos e filhas de um Pai Celestial vivo e termos a oportunidade de comunicar-nos com Ele e assim invocar Seu Espírito em nossas reuniões e em nossa vida pessoal. Tenho certeza de que todos reconhecem a imensa diferença que há entre fazer uma oração e orar. Diz-se que foi Santo Agostinho quem aconselhou: “Ore como se tudo dependesse de Deus. Trabalhe como se tudo dependesse de você.”3 Um velho provérbio de que gosto muito declara: “Fique muito tempo de joelhos para erguer-se a uma boa situação”. Acho inacreditável saber que há poucos dias um juiz federal dos Estados Unidos considerou inconstitucional a convocação para a observância voluntária de um Dia Nacional de Oração.

Em muitas partes do mundo, inclusive nos Estados Unidos, orar em locais públicos ou exibir qualquer tipo de símbolo religioso em um local público são coisas consideradas inconstitucionais ou contrárias à lei. Em vista disso, acho muito interessante um fato pouco conhecido: em Washington D. C., não pode haver nenhum edifício de qualquer tipo mais alto do que o Monumento a Washington. A ponta de alumínio do monumento fica a 169,3 metros acima do nível do solo. Gravadas no alto do monumento, naquele revestimento de alumínio, onde poucas pessoas conseguem ver, estão as palavras latinas Laus Deo. Laus Deo! Duas palavras aparentemente insignificantes e despercebidas foram colocadas no ponto mais alto da capital de um importante país. O que essas duas palavras em latim, compostas de quatro sílabas e apenas sete letras, significam? Elas simplesmente significam “louvado seja Deus”. Várias outras referências a Deus e a nosso Pai Celestial adornam aquela magnífica estrutura.

Louvado seja Deus. Laus Deo! Ao louvarmos de modo pessoal e coletivo o amoroso Pai Celestial, lembremo-nos do verdadeiro espírito do aloha ao pedir que Ele nos conceda sabedoria e bom senso e ao expressar gratidão a Ele pela bondade e misericórdia que tem por nós como um sábio e amoroso Pai Celestial! O Presidente Thomas S. Monson costuma nos recordar que “se lembrarmos que cada um de nós é literalmente um filho de Deus, não teremos dificuldade em achegar-nos a Ele em oração. Ele nos conhece e nos ama e deseja o melhor para nós.”4

Abraão Lincoln, o 16º presidente dos Estados Unidos, é citado por ter supostamente dito: “Quando me preparo para falar ao povo, passo dois terços do tempo pensando no que eles desejam ouvir e um terço no que eu quero dizer.”5 Usando o método de preparação de Lincoln, orei e me angustiei para saber o que vocês desejariam e precisariam ouvir e o que eu deveria me esforçar para transmitir a vocês. Tentei colocar-me em seu lugar e imaginar como seria trilhar o caminho que vocês estão trilhando em 2010. Acho que muitos de vocês poderiam perfeitamente perguntar: “O que esse homem que tem 50 anos a mais que nós sabe a respeito das questões que os jovens enfrentam hoje?” Essa é uma pergunta muito boa e procedente! A resposta, na verdade é: provavelmente não muito, com relação às atividades diárias e as tentações e tudo aquilo que vocês têm de passar. Há, porém, aspectos importantes de nossa vida que são constantes, sempre foram constantes e nunca mudam. Talvez meus anos de experiência me permitam fazer algumas observações aprendidas na árdua escola da vida. Quando consultei meus netos universitários sobre o que gostariam de ouvir, sua resposta foi: “Seja simples, vovô”. “Seja direto, vovô”. E talvez o mais importante: “Seja breve, vovô”. Farei o melhor que puder para satisfazer às expectativas deles.

Posso compartilhar algumas noções que podem ser óbvias para praticamente todos nós? Vivemos numa época em que estão surgindo tumultos em meio às nações e culturas do mundo; elas estão em conflito. O rumo que a humanidade vai tomar no futuro é incerto. Com muita frequência, os jovens sentem a alma tomada pelo medo. Alguns perdem a fé no Senhor Jesus Cristo, e para muitos outros a esperança é apenas um sonho fugaz. O empenho constante de Satanás para dominar o coração e a alma dos homens prossegue inexoravelmente. A assim chamada “Geração X” parece incerta e talvez um pouco confusa por causa dos sinais ambíguos emitidos pela sociedade em geral.

Sabemos o Caminho que Devemos Seguir

Após ter ponderado sobre o que poderia dizer e consultado os céus, o Espírito me sussurrou, ou até gritou, que era preciso reassegurar aos jovens santos dos últimos dias que eles são literalmente filhos e filhas de um Pai Celestial amoroso, carinhoso e benevolente. Precisam ter a confirmação de que a fé no Senhor Jesus Cristo é importante. Precisam saber que não há absolutamente nenhum motivo para temor ou desespero se seguirmos a palavra do Senhor. Precisam saber que a esperança é e pode ser uma realidade, há abundância de oportunidades, a obediência é pré-requisito para a felicidade — que há um grande e eterno propósito nesta vida, e Satanás e seus seguidores serão silenciados. O evangelho de Jesus Cristo é verdadeiro. Há muitos profetas na Terra.

Acredito que o copo está realmente meio cheio ao invés de meio vazio. Meus jovens amigos, esta é uma época extraordinária para estarmos vivos. Temos uma grande missão a realizar e um destino divino. Sabemos disso e muito mais porque fomos abençoados com a compreensão do plano do Pai Celestial, que Ele designou especificamente para nossa felicidade, se abraçarmos plenamente o evangelho de Jesus Cristo.

Charles Dodgson, um inglês, escritor, matemático e especialista em lógica, do século dezenove, que escreveu sob o pseudônimo de Lewis Carroll, escreveu Alice no País das Maravilhas e sua sequência, Alice Através do Espelho.Também ficou conhecido por suas muitas citações perspicazes, uma das quais é: “Se você não sabe para onde vai, qualquer estrada vai levá-lo até lá”.6 Grande parte desse conceito é expresso também no instigante poema de Robert Frost, “O Caminho Menos Percorrido”:

“Dois caminhos divergiam em um bosque
E triste por não poder escolher ambos
Sendo um único viajante, quedei-me ali por muito tempo
E tentei ver o mais longe que consegui
Até o lugar em que um deles fazia a curva no meio da mata.

Então, olhei para o outro, igualmente belo,
E talvez mais atraente,
Por ser coberto de grama e pouco trilhado,
Embora exceto por essa diferença
Os dois caminhos parecessem iguais.

E naquela manhã ambos estavam
Cobertos de folhas recém-caídas.
Deixei o primeiro para outro dia!
Mas sabendo que um caminho leva a outro,
Tive dúvidas se voltaria um dia àquele lugar.

Faço este relato com um suspiro.
Há muito e muito tempo
Dois caminhos divergiam em um bosque, e eu
Optei pelo menos percorrido
E isso fez toda a diferença.7

Por termos sido abençoados com o conhecimento do plano de Deus para a felicidade dos Seus filhos eternos, nós, santos dos últimos dias, conhecemos nosso destino final e a rota que devemos tomar para chegar lá em segurança. Nós sabemos para onde vamos porque sabemos de onde viemos e por que estamos aqui.

O Plano de Deus É um Plano de Felicidade

Um exame rápido do plano do Pai Celestial pode ser útil. Somos todo filhos de Deus e existíamos antes de virmos a esta Terra. O plano foi elaborado para trazer a imortalidade e a vida eterna. Havia um único plano eterno e, quando o Pai o apresentou, todos jubilamos. Era o plano apresentado pessoalmente por Deus. Não havia diversos planos, como às vezes somos levados a crer. Entre os elementos do plano estavam o sexo masculino e o feminino. De fato, isso é uma parte essencial do plano. O plano foi ordenado antes que este mundo fosse criado e oferecia um meio para que todos pudessem ser exaltados. A família foi ordenada por Deus e tem uma importância fundamental para o plano. O Pai Celestial fala a Seus filhos por meio de profetas vivos. Os templos, juntamente com suas ordenanças de salvação, nos conectam com a eternidade. O plano exigia que alguém mostrasse o caminho e fosse nosso advogado junto ao Pai. O Salvador, Jesus Cristo, foi plenamente obediente e ofereceu-Se para que pudéssemos ter o arbítrio para agir por nós mesmos. Lúcifer (ou Satanás) rebelou-se e procurou compelir os filhos de Deus em vez de dar-lhes o arbítrio. Em nosso júbilo, regozijamo-nos quando Jesus Cristo foi escolhido e recebemos a oportunidade de vir à Terra, de receber um corpo, de adquirir experiência e de ser provados.

Ao trilhar a estrada da vida, esperamos seguir as normas e a sinalização da estrada. O profeta Alma, do Livro de Mórmon, explicou: “Portanto, depois de ter-lhes revelado o plano de redenção, Deus lhes deu mandamentos para que não praticassem o mal, sob pena de uma segunda morte, que era uma morte eterna com referência às coisas ligadas à retidão; pois sobre esses o plano de redenção não teria poder porque, de acordo com a suprema bondade de Deus, as obras de justiça não poderiam ser destruídas” (Alma 12:32).

Se formos obedientes e fiéis ao agarrar-nos à barra de ferro e ao viajar pela estrada indicada, podemos esperar a grandiosa e gloriosa oportunidade de uma vez mais voltar à presença de nosso Pai Celestial para viver com Ele eternamente, desfrutando todas as bênçãos que Ele reservou para os que se formarem com louvor nesta existência mortal. Ao se apegar firmemente aos padrões da Igreja, vocês terão mais felicidade na vida e serão um exemplo positivo para as pessoas ao seu redor. A proclamação sobre a família diz: “A felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. O casamento e a família bem-sucedidos são estabelecidos e mantidos sob os princípios da fé, da oração, do arrependimento, do perdão, do respeito, do amor, da compaixão, do trabalho e de atividades recreativas salutares.8 É interessante notar que essas verdades simples encontradas no plano de felicidade do Pai Celestial são bastante mal compreendidas por muitos que não são de nossa religião.

Precisamos de tempo para contemplação, tempo para estudar, tempo para meditar e tempo para ponderar sobre esse plano maravilhoso. Precisamos pensar sobre a felicidade que o nosso Pai Celestial reservou para nós, conforme está delineado em Seu plano para Seus filhos. Lembrem que o plano do Senhor é um plano de felicidade. Gosto muito do modo como o Presidente Gordon B. Hinckley expressou isso: “O caminho será mais ameno, as preocupações menores e os confrontos menos difíceis se cultivarmos o espírito de felicidade”.9

“Em 2007, dois institutos de pesquisa norte-americanos fizeram sondagens entre jovens de 12 a 24 anos para descobrir o que lhes trazia felicidade.

“Entre outros, os resultados do estudo foram:

  • • Os jovens ‘dependem dos pais como fonte vital de segurança e felicidade.’

  • • ‘Os jovens tendem a buscar cada vez mais a felicidade na espiritualidade e na fé.’

  • • ‘O renovado interesse dos jovens pela estrutura familiar tradicional vai-se tornar cada vez mais forte.’

“Vejamos uma frase da conclusão desse estudo: ‘Embora nossas pesquisas iniciais já tivessem indicado que os jovens de hoje são mais tradicionais que os de gerações anteriores, foi com surpresa que constatamos o grau de entusiasmo que demonstraram por seu próprio casamento futuro e a família que pretendem constituir.’”10

Podemos Trilhar a Estrada da Vida com Sucesso

Adoro viajar, principalmente quando há tempo para viajar de carro ou cruzar o país pela via terrestre. Talvez um exemplo de viagem nos ajude a compreender melhor a estrada da vida que todos estamos trilhando.

Se, por exemplo, vocês decidirem viajar de Vermont, na costa Leste ou Atlântica dos Estados Unidos, para San Francisco, na costa Oeste ou Pacífica, seguindo exclusivamente pelo sistema interestadual de rodovias, o sistema MapQuest informa que a rota mais direta terá 4.950 km e exigirá quase 48 horas de viagem por carro. Ao longo do caminho há centenas de oportunidades para mudança de rota, cada uma adicionando alguns quilômetros a mais à viagem. Para ajudá-los a chegar em segurança ao seu destino, há sinais na estrada, avisos, limite de velocidade, marcadores e talvez até mesmo um sistema de posicionamento global no automóvel. Cada quilômetro viajado é registrado no odômetro do carro, e o progresso é medido quilômetro a quilômetro e hora por hora. Periodicamente durante a viagem é necessário descansar, encher o tanque de gasolina e procurar alimento para o corpo e para a mente.

Na jornada da vida, do nascimento até a morte, também temos muitas escolhas a fazer. Nosso progresso é medido, em parte, pela idade e pelas realizações. Temos as escrituras para nos orientar, alertar e incentivar, sendo elas um mapa para determinar os padrões de nossa vida. O Presidente James E. Faust frequentemente se referia ao Livro de Mórmon como o “texto para [nossa] dispensação”.11 Acho que ele quis sugerir que o Livro de Mórmon era um manual de instruções para que tenhamos sucesso em nossa jornada da vida. Assim como precisamos ter confiança na precisão das informações que vemos nos sinais rodoviários ao longo das estradas interestaduais, precisamos ter um testemunho pessoal das escrituras.

Néfi nos lembrou por que as escrituras são importantes na jornada da vida ao escrever para os leitores de hoje:

“E sei que o Senhor Deus consagrará minhas orações para o bem de meu povo. E as palavras que escrevi em fraqueza tornar-se-ão fortes para eles; porque os persuadem a fazer o bem; fazem com que saibam a respeito de seus pais; e falam de Jesus, persuadindo-os a acreditar nele e a perseverar até o fim, que é vida eterna.

“E falam asperamente contra o pecado, segundo a clareza da verdade; portanto nenhum homem se zangará com as palavras que escrevi, a não ser que ele seja do espírito do diabo” (2 Néfi 33:4–5).

Essas são as últimas palavras que Néfi registrou em sua parte do Livro de Mórmon. Nesses dois versículos Néfi menciona pelo menos cinco motivos pelos quais devemos estudar as escrituras, da mesma forma que estudamos um mapa de estrada em preparação para uma longa viagem através do país.

De modo semelhante, o último profeta a escrever no Livro de Mórmon explicou que podemos adquirir esse testemunho tão necessário sobre a veracidade do Livro de Mórmon quando nos lembrou: “E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo” (Morôni 10:4).

O processo descrito por Morôni inclui, em primeiro lugar, o estudo. E em segundo lugar, fazer a pergunta certa. Nesse caso, a pergunta não é se ele é verdadeiro, mas, sim, se ele não é verdadeiro. Terceiro, uma manifestação genuína do desejo de conhecer a verdade. Quarto, ter fé suficiente para saber que sua pergunta terá resposta. Quinto, preparar-se para receber a resposta do Espírito Santo.

Como nossa viagem rodoviária nos leva a cruzar várias grandes cidades num labirinto de estradas muito trafegadas indo para toda direção, é fácil fazer uma curva errada e perder-nos ou até chegar a um beco sem saída. O temor ou até o desespero podem nos dominar, quando buscamos o porto seguro ou a estrada segura desejada. O mesmo acontece, meus jovens amigos, com a vida: podemos tornar-nos uma alma perdida, sucumbir às tentações do adversário e, com o tempo, perder de vista nosso destino original.

Ao longo da estrada da vida, um benevolente Pai Celestial tomou providências em Seu plano maravilhoso para esses desvios. Enviou Seu Filho Unigênito para ser nosso Salvador e Redentor. Não se deixem enganar, o pecado exige penitência. O profeta Alma lembra-nos que “O Senhor não pode encarar o pecado com o mínimo grau de tolerância” (Alma 45:16). Tal como o seguro que adquirimos para proteger nosso automóvel em caso de danos ou responsabilidades que podem ocorrer em nossa viagem pela estrada, podemos receber, por meio do arrependimento sincero e completo, as bênçãos associadas à Expiação de Jesus, o Cristo. Ele também providenciou “salvadores” divinamente indicados, aos quais chamamos de bispos, para ajudar-nos a encontrar novamente o rumo certo. Lembrem-se de que o Senhor prometeu: “ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Isaías 1:18). Nesta dispensação o Senhor declarou:

“Eis que aquele que se arrependeu de seus pecados é perdoado e eu, o Senhor, deles não mais me lembro.

Desta maneira sabereis se um homem se arrepende de seus pecados—eis que ele os confessará e abandonará” (D&C 58:42–43).

Se vocês tomaram um atalho ou se desviaram do caminho certo na vida, seu maravilhoso bispo pode ajudá-los. Procurem-no; ele os ama!

Ao cruzarmos o país, vários órgãos do governo e outras entidades oferecem incentivos e privilégios se nosso veículo cumprir certos padrões. Esses padrões podem ser de desempenho, incluindo exigências de segurança. Algumas vezes há restrições de peso. É óbvio que precisamos ter placas no automóvel. E em alguns lugares dá-se preferência se alcançarmos certos níveis de consumo de combustível com o automóvel. Se concordarmos em cumprir esses padrões e demonstrarmos ter responsabilidade poderemos usar faixas especiais para evitar congestionamentos, passar rapidamente pelos pedágios ou receber outros privilégios especiais.

Na vida, nosso Pai Celestial espera que assumamos acordos que chamamos de convênios. Ao longo da história nosso Pai Celestial se relacionou com Seus filhos fazendo convênios. Vocês se recordarão que foram feitos convênios com Adão, Abraão e Moisés. Hoje, como parte da expectativa de fazer convênios, fazemos convênios batismais, convênios do sacerdócio e convênios no templo. Nos referimos a esses convênios coletivamente como “o novo e eterno convênio”. Cada convênio mencionado está associado a uma ordenança sagrada necessária para a exaltação. Se honrarmos os convênios sagrados, nosso Pai Celestial nos concederá as bênçãos prometidas. Não devemos agir levianamente em relação a nossos convênios e ordenanças.

O Élder Russell M. Nelson nos lembrou da promessa do nosso Pai Celestial: “A esperança Dele para nós é a vida eterna. Qualificamo-nos para ela por meio da obediência aos convênios e ordenanças do templo — para nós mesmos, nossa família e nossos antepassados. Não podemos aperfeiçoar-nos sem eles. Não podemos entrar na presença de Deus apenas por desejarmos fazê-lo. Precisamos obedecer às leis nas quais as bênçãos se baseiam”.12

Meus jovens amigos, não sabemos a duração ou o comprimento da estrada da vida, mas é somente perseverando até o fim com a vida firmemente enraizada no solo do evangelho, permanecendo na corrente principal da Igreja, prestando humilde serviço ao próximo, levando uma vida semelhante à de Cristo e guardando esses convênios sagrados que alcançaremos a felicidade dentro do plano de nosso Pai Celestial.

Para desfrutar ao máximo as longas viagens de carro, precisamos fazer algumas paradas para apreciar a cultura local e os pontos de interesse. Isso aumenta a concientização, o entusiasmo e a valorização da viagem. As maravilhas da natureza foram criadas para que as apreciemos e desfrutemos, e se formos observadores, muito pode ser aprendido.

Para navegar com sucesso pela estrada da vida, reservem um tempo para prestar serviço e auxílio ao próximo. A ex-primeira dama Barbara Bush disse: “No fim da vida, não vamos lamentar por não ter passado em mais um exame, vencido outro veredito ou fechado mais um negócio. Vamos lamentar o tempo que não passamos com o marido, com um filho, com um amigo, com o pai ou a mãe”.13

Assim como vocês precisam de uma carteira de habilitação para dirigir, necessitam de uma recomendação para desfrutar as bênçãos de servir na casa do Senhor.

As Diretrizes de Deus nos Capacitam para o Sucesso

Albert Schweitzer, o famoso teólogo, médico missionário e filósofo observou: “O sucesso não é o segredo da felicidade. A felicidade é o segredo do sucesso”.14 A felicidade advém apenas do cumprimento dos preceitos encontrados no plano eterno de nosso Pai Celestial para Seus filhos. Ao vivermos cada dia, tenhamos em mente o propósito divino de nossa criação.

Há pouco tempo, uma mãe muito sábia em nossa ala ajudou a congregação a compreender por que o Senhor nos deu limites para governar nossa vida. Em uma reunião sacramental, ela pediu que fechássemos os olhos e imaginássemos uma cena tranquila. Vou pedir que cada um de vocês faça o mesmo. Fechem os olhos. Agora imaginem uma bela cena: É um dia ensolarado e a praia é linda, com as ondas quebrando suavemente na areia branca. É primavera, e a areia não está muito quente. Vocês podem correr descalços e sentir a areia entre os dedos dos pés. Há uma agradável brisa soprando, perfeita para empinar uma pipa. A pipa foi feita em casa, de papel de seda, varinhas e barbante. Presa à pipa há uma rabiola colorida para dar-lhe estabilidade. Vocês escolheram cuidadosamente a linha para sua pipa. É uma belíssima pipa, e vocês não querem perdê-la. Também querem fazer com que voe o mais alto possível.

Agora segurem a sua pipa e corram pela praia, deixando que o vento bata no papel da pipa e a leve para o alto. Ela fica meio instável e oscila, desce um pouco, até que atinge a altura suficiente para pegar uma boa brisa. E começa a elevar-se com facilidade, à medida que você lhe dá linha. Em pouco tempo, está tão alta que não passa de um pontinho no belo céu azul.

Conseguem vê-la? Conseguem senti-la nas puxadas da linha, à medida que o vento faz a pipa subir cada vez mais? Vocês podem fazê-la mergulhar. Vocês podem fazê-la girar. Vocês podem fazê-la descer e subir bem alto, manipulando a linha. Aquela linha fina e forte controla e ancora sua pipa ao chão. Desfrutem a sensação de controle e a beleza do dia.

Agora, tenho uma pergunta para vocês. O que mantém a pipa no ar? É o vento? Sem dúvida, é o que parece. Vou pedir agora que façam algo que pode lhes parecer difícil. Cortem a linha, bem rápido. Deixem a pipa ir embora. Deem-lhe liberdade para voar para mais alto e mais longe. O vento sem dúvida está no controle e vai mantê-la segura.

Mas o que acontece assim que a linha é cortada? A pipa começa a mergulhar e a descer, girando de um lado para o outro, até cair no chão. O vento a carrega para longe, e à medida que perde altitude, vocês a perdem de vista, mas sabem que o resultado final será a queda da pipa ao chão. Aquela bela pipa, que vocês gastaram tanto tempo para fazer, não está mais subindo ao céu, mas caiu no chão, e nenhum vento vai erguê-la novamente. Vocês têm um sentimento de desapontamento e perda?

Podem abrir os olhos, agora. A realidade é que, embora pareça que a linha esteja controlando a pipa, na verdade ela está lhe dando a capacidade de alçar voo e ser o que deveria ser.

Procurei pintar uma gravura de palavras em sua mente referente a uma verdade do evangelho que é a chave de nossa salvação. A pipa representa cada um de nós. Deus nos criou à Sua imagem, e somos belos à Sua vista. Ele fez um excelente trabalho, mas não nos obriga a fazer nada. O que Ele nos deu foi um forte elo que nos une a Ele, como a linha faz com a pipa. A linha representa as diretrizes para felicidade e vida eterna contidas em Seu plano maravilhoso.

Manter o Foco na Meta Final da Vida Eterna

Toda jornada tem um fim e geralmente algumas paradas pelo caminho. Esperamos que haja poucas falhas mecânicas e enguiços durante o caminho. Onde quer que vocês se encontrem atualmente na estrada da vida, pode ser útil e até sensato avaliar objetivamente as condições e a vitalidade de sua vida espiritual, assim como verificariam a pressão dos pneus e o nível de combustível no tanque antes de começar uma jornada. Caso seu bem-estar espiritual esteja prejudicado pelo pecado, pela procrastinação, pela indiferença, pelos desejos carnais, pelas drogas, pela falta de recato ou por qualquer outro mal, agora é a hora de tomar uma decisão. Gosto muito do conselho dado pela Madre Teresa. Ela disse: “O dia de ontem já se foi. O amanhã ainda não chegou. Temos somente o dia de hoje. Vamos começar”.15

Vamos todos começar. Vamos todos começar agora mesmo! Não vamos desperdiçar a oportunidade de participar plenamente da felicidade que advém de uma vida justa e útil.

Ao longo dos anos, tive o privilégio de jogar um pouco de golfe em diversas ocasiões com Jack Nicklaus, Johnny Miller, Mike Weir e Arnold Palmer. Todos são pessoas impressionantes e excelentes jogadores de golfe. Algo aparentemente sem importância aconteceu enquanto eu jogava com Arnold Palmer e deixou um efeito duradouro e profundo em mim. Alguns de vocês devem lembrar esta história que já contei sobre minha missão na Austrália.

Depois de algumas tacadas, eu estava ao lado do Sr. Palmer enquanto seu jovem carregador de tacos descrevia alguns dos perigos do buraco que estávamos mirando naquele momento. A conversa foi mais ou menos assim:

Jovem carregador para o Sr. Palmer: “Senhor, perto do gramado, um pouco à esquerda, há um riachinho que não se vê daqui, e deixaram a grama crescer uns cinco centímetros a mais à direita.”

Sr. Palmer para o carregador — de modo firme e sucinto, mas gentil: “Por favor, rapaz, não coloque em minha mente o que está à esquerda e o perigo que posso encontrar à direita. A única informação que é importante para mim é a distância entre esta bola e a bandeirinha”.

Com muita frequência na vida nos concentramos no que está à esquerda ou no que pode haver à direita, em vez do que está bem no centro. O ex-secretário de Saúde, Educação e Bem-Estar, John W. Gardner, salientou: “Todos enfrentamos uma série de grandes oportunidades disfarçadas de problemas insolúveis”.16 A solução de nossos problemas espirituais é uma oportunidade que todos podemos realizar com sucesso.

Foi dito que “o que fazemos na vida ecoa na eternidade”.17 Meus jovens amigos, que sejamos bem-sucedidos em nossa viagem pela estrada da vida e recebamos a felicidade que advém de abraçarmos plenamente o plano de nosso Pai Celestial para nós. É uma época muito maravilhosa de se viver!

Expresso meu amor e respeito a cada um de vocês e invoco as bênçãos do céu sobre vocês, para que sejam abençoados com felicidade em sua vida pessoal, à medida que seguem fielmente o plano de Deus, para que sejam abençoados com discernimento para identificar as coisas boas e fugir das más, e que possam ter grande e duradoura alegria em servir em Seu reino e tenham sucesso em suas metas educacionais e profissionais.

Sei que Jesus vive. Sei que Ele é o nosso Salvador. Sei que expiou por nossos pecados. Sou grato porque Ele é nosso advogado perante o Pai Celestial. Sei que as palavras das escrituras, e principalmente do Livro de Mórmon, nos dão orientação para a vida de modo a termos êxito na jornada da vida e voltarmos ao nosso Pai nos céus, plenos de felicidade. Sou grato e expresso gratidão pelos profetas vivos. Sei que somos abençoados atualmente com um profeta vivo, Thomas S. Monson. Sei dessas coisas e testifico a vocês no sagrado nome de Jesus, o Cristo, nosso Redentor e Salvador. Amém.

© 2010 Intellectual Reserve, Inc. Todos os direitos reservados. Aprovação do inglês: 10/09. Aprovação da tradução: 10/09. Tradução de The Road of Life. Portuguese. PD50021016 059

Notes

1. Ver “Aloha Spirit,” Hawaii Revised Statutes 5-7.5, http://capitol.hawaii.gov/hrscurrent/vol01_ch0001-0042f/hrs0005/hrs_0005-0007_0005.htm.

2. David H. Petraeus, em Sara Israelsen-Hartley, “General Petraeus: Top 10 Reasons BYU Grads Make Great Soldiers,“ Deseret News, 26 de março de 2010, http://deseretnews.com/article/print/700019691/General-Petraeus-Top-10-reasons-BYU-grads-make-great-soldiers.html.

3. Santo Agostinho, ver “QuotationsBook,” http://quotationsbook.com/quote/31904/.

4. Thomas S. Monson, “Three Ways to Build a Strong Testimony”, Friend, maio de 2009, p. 2.

5. Abraham Lincoln, ver “UpLifts: Motivation in Thought,” 20 de abril de 2010, http://uplifts.us/?cat=5.

6. Lewis Carroll, ver “QuotationsBook”, http://quotationsbook.com/quote/46342/.

7. Robert Frost, “The Road Not Taken” (1915), em The Poetry of Robert Frost, ed. Edward Connery Lathem (1970), p. 105.

8. “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004, p. 49.

9. Gordon B. Hinckley, em Conference Report, outubro de 2002, p. 109; ou A Liahona novembro de 2002, p. 100.

10. “18 Ways to Stand Strong: Family”, New Era, outubro de 2008, p. 20; ver Associated Press/MTV Research and Strategic Insights, Happiness, 20 de agosto de 2007.

11. Ver James E. Faust, “Joseph Smith and the Book of Mormon”, Ensign, janeiro de 1996, p. 7.

12. Russell M. Nelson, em Conference Report, abril de 2005, p. 17; ou A Liahona, maio de 2005, p. 18.

13. Barbara Bush, “Remarks of Mrs. Bush at Wellesley College Commencement”, http://www.wellesley.edu/PublicAffairs/Commencement/1990/bush.html.

14. Albert Schweitzer, ver “QuotationsBook”, http://quotationsbook.com/quote/37770/.

15. Madre Teresa, In the Heart of the World: Thoughts, Stories, and Prayers, ed. Becky Benenate (1997), p. 17.

16. John W. Gardner, em Lee S. Shulman, “A Response to the Final Report of the Commission on the Future of Higher Education”, http://carnegiefoundation.org/print/6068.

17. Ver James E. Faust, em Conference Report, abril de 2002, p. 56; ou A Liahona, julho de 2002, p. 53.

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